A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), a Operação Cenário Montado Gyn, terceira fase de uma investigação que apura um esquema estruturado de fraudes milionárias em licitações públicas, com prejuízo superior a R$ 4,2 milhões aos cofres da Prefeitura de Barra do Garças.
A nova fase da operação resultou no cumprimento de 30 ordens judiciais, entre elas sete mandados de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, além da quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático dos investigados. A Justiça também determinou a suspensão das atividades econômicas de duas empresas e o sequestro de valores que ultrapassam R$ 4,2 milhões.
As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e estão sendo cumpridas no próprio município e nas cidades goianas de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia, com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil de Mato Grosso, e da Polícia Civil de Goiás.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema envolvia empresários, funcionários de empresas e servidores públicos, com indícios de superfaturamento, direcionamento de certames, uso de empresas de fachada, associação criminosa e corrupção. O núcleo central desta fase é um pregão eletrônico fraudado no valor de mais de R$ 4,2 milhões.
A operação é presidida pelo delegado Adriano Marcos Alencar, com apoio dos delegados Pablo Borges Rigo e Raphael Diniz, sob coordenação do delegado regional de Barra do Garças, Wilyney Santana Borges. A ação é um desdobramento das Operações Cenário Montado I e II, deflagradas nos meses de março e maio deste ano.
As investigações tiveram início em janeiro de 2025, conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, a partir de informações repassadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Inicialmente, o foco era um esquema de fraudes em licitações no município de Pontal do Araguaia.
De acordo com a apuração, empresas do setor de produção de eventos e shows eram utilizadas para fraudar processos licitatórios, que resultavam em Atas de Registro de Preços posteriormente aderidas por diversos municípios, por meio do chamado “carona”. Somente três pregões investigados em Pontal do Araguaia somaram cerca de R$ 25,8 milhões, com possibilidade de adesões que poderiam alcançar até R$ 51,7 milhões.
Superfaturamento acima de 370%
Análises técnicas apontaram superfaturamento de até 372,09% em itens como palcos, sistemas de iluminação, geradores, telões de LED e estruturas para eventos. Após as primeiras fases da operação, uma pesquisa comparativa revelou queda imediata nos preços praticados, reforçando a suspeita de manipulação de orçamentos e ausência de concorrência real entre fornecedores.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil identificou que o mesmo modelo fraudulento teria sido replicado em outros municípios da região, incluindo Barra do Garças, por meio de adesões às atas originadas em Pontal do Araguaia. Há indícios de subcontratação integral irregular, execução contratual simulada e continuidade de atividades por empresas ligadas a grupos já sancionados judicialmente.
Prejuízo aos cofres públicos
O valor inicialmente fixado pela Justiça como prejuízo para o dinheiro público no núcleo central da operação é de R$ 4.208.302,96. Nas fases anteriores, já havia sido determinado o sequestro de bens que ultrapassam R$ 21 milhões.
As investigações seguem em andamento, com análise aprofundada de documentos e dados bancários e telemáticos. A Polícia Civil não descarta novas fases da operação, novas responsabilizações e ampliação do alcance das apurações.
Nome da operação
O nome Cenário Montado faz referência à dinâmica do esquema criminoso, no qual empresas de fachada simulavam uma concorrência legítima em licitações públicas. O termo destaca o caráter forjado dos processos, previamente planejados para enganar a administração pública e desviar recursos.
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